terça-feira, 6 de setembro de 2011

Só Sei Dançar Com Você

"Você me chamou pra dançar aquele dia,
Mas eu nunca sei rodar.
Cada vez que eu girava parecia
Que a minha perna sucumbia de agonia,
Em cada passo que eu dava nessa dança
Ia perdendo a esperança.
Você sacou a minha esquizofrenia
E maneirou na condução.
Toda vez que eu errava cê dizia
Pra eu me soltar porque você me conduzia
Mesmo sem jeito eu fui topando essa parada
E no final achei tranquilo.
Só sei dançar com você
Isso é o que o amor faz
Só sei dançar com você
Isso é o que o amor faz"

[Tulipa Ruiz]

[Foto: http://ladrar.tumblr.com/]

terça-feira, 16 de agosto de 2011

"— E até quando acredita o senhor que podemos continuar neste ir e vir do caralho? — perguntou.

Florentino Ariza tinha a resposta preparada havia cinqüenta e três anos, sete meses e onze dias com as respectivas noites.

— Toda a vida — disse."

[O Amor nos Tempos do Cólera - Gabriel Garcia Marquez]

terça-feira, 26 de julho de 2011

Acho que nunca escrevi sobre isso aqui, mas uma força me atrai a tudo o que se refere à crianças: livros, filmes, desenhos e as próprias crianças...
Recentemente, li "Três maneiras de escrever para crianças" do C.S. Lewis e, como tenho algumas ideias para um conto (ou livro, não sei até onde vai chegar) para esta faixa etária, tive a sensação de que ele "disse" o que eu precisava ouvir.
Trata-se de um breve ensaio sobre o que uma criança gostaria de ler, como um escritor deve se portar quanto à abordagem da escrita, o que escrever para crianças, em que Lewis usa fatos que aconteceram com ele, livros que gostou de ler, entre outras preferências e inspirações para trabalhar o tema.

Só os dois exemplos iniciais do texto me bastariam, pois falam de adultos que acham que escrever para crianças é algo que não tem encanto, como se o público infantil quisesse a mesma coisa linear de sempre, sem inovações, dando para perceber a motivação inexistente no autor para continuar, mas por causas "superiores" ($?) ele continua. Porém, não parei por aí.
Lewis também falou do facínio pela fantasia e comentou sobre obras clássicas da literatura mundial e suas influência na sociedade da época, que me soou muito atual também, mas o que me chamou MESMO a atenção foi a definição de "crescimento" e o emprego dela ao longo de todo o ensaio, mostrando que a verdade dele era a literatura infantil, a fantasia.
Geralmente se vê por aí "adultos" que falam incessantemente de maturidade, prudência e experiência, têm resistência aos contos de fadas e quase não deixam rastros da infância que um dia governou aquele corpo. Sobre isso penso como o autor: o desenvolvimento de um indivíduo não tem relação com a mudança, perda ou troca de uma atitude por outra, de um gosto por outro, mas com a junção deles, que resulta em enriquecimento.
Enfatizo também o que ele fala sobre moral. As crianças já têm as maravilhosas Fábulas do Esopo, cheias de princípios e muitas outras por aí, que são eternas, contudo, quem escreve deve expressar as próprias considerações sobre os assuntos tratados, sem se preocupar em dar a elas um sentido educativo forçoso, pois existe a moral de acordo com a autenticidade do autor.
Por fim, tenho a certeza de que não consegui escrever tudo o que queria, mas espero ter transmitido a paixão daquilo que me "assola" a vida, no sentido mais extraordinário e prazeroso possível, que consiste nas delícias da infância, nas crianças e tudo o que elas trazem de bom, mesmo eu tendo me baseado em outra pessoa, este autor que sempre soube como emocionar gerações, para firmar meu pensamento.

Acho indispensável este trecho final do ensaio, que fecha com chave de ouro as análises da escrita para crianças sem ser forçado ou imaturo:

"Certa vez, num refeitório de hotel, eu disse em voz um pouco alta demais: "Odeio ameixas secas." De outra mesa, inesperadamente, ouvi a voz de um menino de seis anos: "Eu também." A simpatia entre nós foi instantânea. Nem eu nem ele achamos aquilo engraçado. Ambos sabíamos que as ameixas secas são ruins demais para serem engraçadas. É esse o encontro adequado entre o homem e a criança como personalidades independentes. Quanto às relações muito mais elevadas e mais difíceis entre uma criança e seus pais ou entre crianças e professores, nada digo. Um escritor, um mero escritor, está fora disso. Não é nem mesmo um tio. É um homem livre, um igual, um par, como o carteiro, o açougueiro e o cachorro do vizinho."

[Três maneiras de escrever para crianças - C. S. Lewis]


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Os companheiros (Uma história embaçada)

"Poderia também começá-la assim - pi-gar-re-ou & disse: diríamos que ele apresentava-se ou revelava-se ou expressava-se (entregava-se, quem sabe?) ou fosse lá o que fosse, naquele momento específico, por uma predileção, tendência, símbolo, sintoma ou como queiram chamá-lo, senhores, senhoras, aos cafés amargos, aos tabacos fortes, aos blues lentos, embora a redundância deste último. E os morcegos esvoaçavam ao redor da casa. Esse o início."

(Caio Fernando Abreu - Trecho retirado do livro Morangos Mofados)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Songbird - Oasis



Canção dos Pássaros


Conversando com o pássaro cantor ontem
Voei para lugar não muito distante
Ela é um pequeno piloto em minha mente
Cantando músicas de amor para passar o tempo

Vou escrever uma canção para que ela possa ver
Vou dá-la todo o amor que ela me dá
Falar de dias melhores que ainda virão
Nunca senti esse amor por qualquer outra pessoa

Ela não é qualquer pessoa
Ela não é qualquer pessoa
Ela não é qualquer pessoa

Um homem nunca pode sonhar esse tipo de coisa
Especialmente quando ela vem e espalha suas asas
Sussurrando em minha orelha o que eu gostaria
Então ela voou noite adentro

Vou escrever uma música para que ela possa ver
Dar a ela todo o amor que ela me dá
Falar de dias melhores que virão
Nunca senti esse amor por qualquer outra pessoa

Ela não é qualquer pessoa
Ela não é qualquer pessoa
Ela não é qualquer pessoa

[Composição : Liam Gallagher]

terça-feira, 22 de março de 2011

"Você precisa entender.
Você precisa entender que às vezes vou passar e fazer com que pareça que você passou desapercebido por mim, mas tenha certeza de que eu só percebo você.
Você precisa entender que às vezes não vou te dar bola, e vai parecer que não quero nada com nada, mas entenda que eu quero só você.
Você precisa entender que vou passar dias sem te ver e não vou ligar pra saber se você está bem, mas pode ter certeza de que vou pensar só em você.
Você precisa entender, você precisa mesmo entender que vou cuidar de você nas coisas menos óbvias, que vou pegar seu caderno quando você esquecer e não vou me importar quando você sair sozinho e encher a cara, mas pode ter certeza de que eu só me importo com você.
Você precisa entender que às vezes vou chegar e nem olhar na sua cara por algum motivo, provavelmente que você mesmo deu, mas isso não significa, em hipótese alguma que te ame menos ou não te ame mais.
Você precisa entender que sempre vai parecer que não dou ouvidos a nada do que você fala, mas tenho tudo o que você disse decorado em mim.
E você precisa entender, mais que tudo, que fico sem reação quando você diz algo que eu não esperava ouvir, e que nunca sei o que dizer, mas pode estar certo de que repasso tudo na minha mente, quinhentas vezes, e sempre fico feliz com tudo o que você faz de bom e te amo em cada detalhe do que você é.
Você pode entender?"

(Fernanda Borba)

[F, cada vez melhor nessas coisas! Achei tão bonito!!!!]

segunda-feira, 14 de março de 2011




"Publicar um texto é um jeito educado de dizer "me empresta seu peito porque a dor não tá cabendo só no meu"."
[Tati Bernardi]

Segunda citação seguida sobre o "escrever". Deve ser porque realmente o ar está ficando irrespirável, ou eu estou prendendo a respiração.

[Achei a foto nesse blog, que é ótimo: http://ideiasdeanteontem.blogspot.com/]

quinta-feira, 3 de março de 2011




"Escrever é também não falar. É calar-se. É gritar sem ruído.
"
[Marguerite Duras]



Acordou angustiado. Ignorou o café sobre a mesa e bebeu um gole de uísque. Àquela hora da manhã uísque lhe caía mal, mas não naquele dia.
As mãos trêmulas levaram o copo à boca e com desespero, bebeu todo o conteúdo. Se recostou na cadeira para pensar como foi que chegou àquele estado de espírito ridículo e deplorável, mas não tinha porquê.
Já relaxado, conseguia ver com clareza que não era aquela vida que queria, mas se os novos rumos não se tornassem reais, então não servia também.
Avaliou cada tentativa falha de esmagar a ideia, os pensamentos que o rondavam, só não tinha mais a certeza de que as tentativas existiram. E não fazia diferença, não tinha volta.
No auge da sua instabilidade, soltou uma gargalhada ruidosa: em meio a sentimentos violentos, se esqueceu de como era bom viver aquele devaneio.

[02/03/2011]

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Jogue pro alto, se voltar é seu."

Caio Fernando Abreu, sempre profundo...